O esgotamento invisível dos nossos adolescentes: o que a escola e o consultório estão tentando nos dizer?


Nos meus anos de trajetória dentro da gestão escolar, vi salas de aula repletas de jovens brilhantes, mas alguns profundamente exaustos. Hoje, atuando na psicologia clínica com foco em adolescentes e adultos, percebo que essa exaustão mudou de endereço: ela saiu dos pátios escolares e se instalou no consultório. Muitas vezes, a quebra de rendimento nos estudos, o isolamento no quarto ou a irritabilidade repentina não são "rebeldia" ou falta de foco. São pedidos de socorro de uma subjetividade que perdeu o espaço para ser espontânea.
O psicanalista Donald Winnicott dizia que, para amadurecer de forma saudável, o indivíduo precisa de um "ambiente suficientemente bom", um espaço que sustente suas angústias sem invadir ou cobrar uma maturidade precoce. No entanto, o cenário atual (hiperconectado, competitivo e performático) tem cobrado dos nossos jovens um preço alto demais.
Quando um adolescente chega à clínica, meu papel não é "consertá-lo" para que ele volte a tirar notas altas ou a se comportar perfeitamente. O objetivo da psicoterapia na adolescência é oferecer um holding: um suporte seguro onde ele possa desabar, compreender suas próprias transformações e reatar com o seu "Self Verdadeiro", aquele gesto criativo e autêntico que a pressa do mundo muitas vezes sufoca.
Se você convive com um adolescente em sofrimento, lembre-se: o acolhimento técnico e especializado faz diferença não apenas no presente, mas na estrutura do adulto que ele se tornará amanhã.
Aos colegas educadores e aos pais que me acompanham por aqui: como vocês têm percebido a saúde mental dos jovens no ambiente de vocês?
Vamos conversar nos comentários.



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