O Autocuidado além da performance: um olhar winnicottiano.
- adrianamartinspsi

- 3 de jul.
- 1 min de leitura

Na nossa cultura contemporânea, somos constantemente bombardeados por listas de
tarefas de "autocuidado": dormir oito horas, manter uma dieta regrada, praticar
exercícios intensos. Embora hábitos saudáveis sejam valiosos, a psicologia
winnicottiana nos convida a olhar para algo muito mais fundamental e, muitas vezes,
silencioso.
"Autocuidado não é apenas o que fazemos pelo corpo, é a sustentação do 'ser' em sua forma mais genuína."
O Verdadeiro Self e a necessidade de se escutar
Donald Winnicott, pediatra e psicanalista, nos ensina sobre a importância do Verdadeiro
Self — aquela parte nossa que se sente real e viva. Quando o autocuidado se torna
apenas uma lista de obrigações, corremos o risco de estar apenas fortalecendo um
Falso Self, uma fachada que precisa estar sempre "bem" ou "produtiva" para ser aceita.
O autocuidado verdadeiro, sob essa ótica, é aquele que nasce da capacidade de tolerar
o nosso próprio ritmo. É o ato de respeitar os nossos limites sem a punição da culpa. É
entender que "cuidar de si" pode significar, muitas vezes, apenas permitir-se não ser
perfeito.
Do que você precisa hoje?
O convite que faço, tanto no consultório quanto nesta reflexão, é para que você troque a cobrança pela pergunta: "Do que eu preciso hoje?". Talvez a resposta não seja uma ida
à academia, mas um momento de silêncio, o acolhimento de uma tristeza ou a
diminuição de um ritmo que já não lhe serve mais.
Diminuir o ritmo não é diminuir o seu valor. Pelo contrário, é um ato de profunda
preservação do seu ser.
Por: Adriana Martins | Psicóloga Clínica | CRP 06/91354



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