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A busca pelo ser: O perigo de perder-se nas expectativas do mundo.

  • Foto do escritor: adrianamartinspsi
    adrianamartinspsi
  • 19 de jun.
  • 2 min de leitura
A busca pelo equilíbrio entre o 'ser' e o 'fazer'. O autoconhecimento é o primeiro passo para uma vida que vale a pena ser vivida.
A busca pelo equilíbrio entre o 'ser' e o 'fazer'. O autoconhecimento é o primeiro passo para uma vida que vale a pena ser vivida.

Vivemos em uma cultura que nos convoca constantemente a "fazer", "performar" e "atender". Muitas vezes, essa exigência externa torna-se tão ruidosa que silencia o nosso núcleo mais genuíno. Na teoria de Donald Winnicott, chamamos isso de uma predominância do Falso Self.


O Falso Self não é uma patologia, mas uma camada de proteção — uma espécie de "armadura" que desenvolvemos para lidar com o mundo quando sentimos que ser quem realmente somos pode não ser seguro ou aceito. O problema surge quando essa armadura se torna rígida demais. Quando passamos a viver exclusivamente para cumprir as expectativas alheias, para dizer "sim" quando nosso desejo é "não", e para habitar uma vida que, embora funcional, parece vazia por dentro.


O convite à reflexão que trago hoje não é sobre "mudar" radicalmente, mas sobre um processo de reaproximação.

O viver para o outro: Quando o olhar do outro se torna o espelho que define quem somos, deixamos de habitar nosso próprio corpo. A pergunta que fica é: quem vive a sua vida quando você está apenas reagindo ao que esperam de você?
A dificuldade de dizer não: O "não" é um ato de afirmação do Self. Recusar um compromisso que te violenta é, paradoxalmente, a forma mais saudável de manter-se disponível para o que realmente importa.
A perda do desejo: O desejo é o combustível da vida pulsante. Quando nos desconectamos dele, caímos no "viver no automático", onde a existência se torna uma sucessão de tarefas, sem o sabor da autoria.

O sofrimento, a sensação de vazio e a desconexão não são inimigos; eles são sinais, enviados pelo seu próprio ser, de que você está habitando um lugar que não lhe serve mais. Como Winnicott bem pontuou, a saúde não é apenas a ausência de doença, mas a capacidade de sentir que a vida vale a pena ser vivida — e isso só é possível quando vivemos a partir do nosso Verdadeiro Self.


Reconhecer que você se afastou de quem você é não é uma derrota. É o primeiro, e talvez o mais corajoso, passo para uma reconexão profunda.

Como tem sido a sua escuta interna? Você ainda consegue ouvir o que faz sentido para você, em meio ao ruído de tantas demandas?




Adriana Martins | Psicóloga Clínica | CRP 06/91354

 






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